Nas nossas empresas e redes vemos cada vez mais jovens com doutoramentos e mestrados em gestão. São engenhosos, disciplinados e com uma enorme capacidade de aprendizagem — aquilo a que chamamos “inteligência”. Mas será isso suficiente para gerir uma organização com destreza? Henry Mintzberg, em Managers, Not MBAs, lança uma crítica feroz ao modelo tradicional de educação em gestão. Segundo ele, os MBAs produzem “gestores calculistas”, excessivamente analíticos, sem um verdadeiro sentido da profissão nem experiência prática. Mintzberg destaca um facto revelador: numa lista de 19 figuras de destaque da Harvard Business School — as suas “superestrelas” de 1990 — 10 fracassaram estrondosamente (falências, despedimentos, fusões mal-sucedidas…), outros 4 tiveram resultados duvidosos, e apenas 5 apresentaram um desempenho aceitável.
Mintzberg sublinha que a verdadeira gestão constrói-se com experiência, empatia, conhecimento tácito e continuidade dentro do contexto organizacional. Os gestores que “aprendem fazendo”, que compreendem políticas, pessoas, cultura e contexto, desenvolvem uma “inteligência prática” que não se ensina nas salas de aula. É irónico, porque todos o sabemos: os títulos académicos não garantem a melhor gestão. No entanto, muitas empresas continuam a dar mais valor ao diploma emoldurado do que ao currículo vivido. Aplaude-se o brilho académico, mas subestima-se a experiência.
Não ponho em causa o valor dos feitos académicos, mas devemos perguntar: estamos realmente a valorizar o que faz de alguém um bom gestor? Já não se trata apenas de análise, mas de humanidade; não apenas de teoria, mas de contexto e prática.
O que pesa mais na sua experiência profissional: o título académico ou a aprendizagem que lhe deu o trabalho real?
Tem notado alguma mudança nas organizações relativamente à forma como valorizam a experiência versus os títulos?
“A gestão é como a cozinha: qualquer pessoa pode ler uma receita, mas só quem passou horas junto ao fogão sabe realmente dar sabor ao prato“
