Recentemente terminei de ler o livro Dedico meu Silêncio, do ilustre escritor peruano Mário Vargas Llosa. Embora alguns críticos o considerem uma obra de ficção, posso assegurar, desde minha perspetiva, que nem tudo o que se conta em suas páginas é inventado. Como peruano, reconheço a autenticidade de muitos dos nomes que Vargas Llosa menciona: desde a inesquecível Cecília Barraza até a icônica Chabuca Granda. Há uma verdade inegável na representação dessas figuras e em como elas se entrelaçam com a história do país.
No entanto, hoje não quero me focar apenas nessa autenticidade. O que realmente quero compartilhar são as emoções que este livro despertou em mim, especialmente quando fala sobre o poder da música e da dança. Vargas Llosa descreve de maneira brilhante como esses dois elementos são mais do que simples entretenimento: são manifestações profundas da alma humana, capazes de nos conectar com o mais íntimo de nós mesmos e com os outros. Embora o autor se concentre na magia do valsa peruana, acredito — a partir da minha humilde perspetiva e minha experiência pessoal como amante da dança — que essas ideias podem ser estendidas a qualquer gênero musical dançante. Seja bachata, salsa, kizomba ou outros ritmos, todos compartilham esse mesmo poder transformador.
Como Vargas Llosa escreve, “a dança tem o poder de unir pessoas tão separadas por múltiplos preconceitos e fazê-las esquecer suas desconfianças sociais”. Essa frase me parece especialmente acertada quando penso na comunidade global da bachata ou da salsa, onde as diferenças culturais, raciais ou sociais se dissipam a cada giro e a cada passo. Tenho visto como esses gêneros podem conectar corações de diferentes origens, idiomas e culturas, criando um espaço onde as diferenças desaparecem e o que importa é a música e a emoção compartilhada do momento.
Além disso, o autor aborda o erotismo inerente à dança, apontando que, mais cedo ou mais tarde, a paixão surge entre aqueles que compartilham essa dança tão íntima, frequentemente atingindo um ponto culminante. Os corpos que se aproximam, as mãos que se tocam, os olhares que se encontram… A dança pode despertar desejos ocultos, e se eles chegam a se realizar, dependerá da decisão de ambos os dançarinos. Em muitos casos, tanto o amor quanto o desamor se manifestam na pista de dança.
Pela minha experiência pessoal, após ter vivido fora da minha querida pátria, encontro muitas semelhanças entre o que Vargas Llosa descreve e o que acontece no vibrante mundo da “Bachatamania” ou “Salsamania”. Esses gêneros, que já não conhecem fronteiras, também nos permitem experimentar essa conexão, esse jogo de sedução e flerte, mostrando que a música e a dança são linguagens universais que unem as pessoas além de qualquer fronteira ou barreira.
“O verdadeiro poder da dança não está na perfeição, mas na liberdade de nos expressarmos.”
“A dança nos transforma, nos conecta e nos eleva, para além de qualquer fronteira.”

Verdadeiro reflexo da dança e da conexão entre as pessoas que partilham a paixão pela dança!
Tanta verdade🌸